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Por que fertilizantes perdem nitrogênio antes de chegar à planta?

  • Foto do escritor: Grisea
    Grisea
  • 3 de jun.
  • 4 min de leitura


Em muitas lavouras, menos da metade do nitrogênio aplicado chega a ser absorvido pela planta. O restante se perde pelo ar, pela água ou por processos microbianos do solo antes mesmo de cumprir sua função. Entender por onde essa perda acontece é o primeiro passo para tomar decisões melhores na hora de escolher e aplicar um fertilizante nitrogenado.


Os três caminhos da perda

O nitrogênio é o nutriente mais dinâmico do solo. Diferente do fósforo e do potássio, ele se transforma, migra e escapa com facilidade. Existem três processos principais pelos quais ele deixa de estar disponível para a planta.


Volatilização

É o processo mais comum e o mais relevante no contexto brasileiro. Depois que a ureia é aplicada no solo, uma enzima chamada urease começa a quebrá-la. Nessa reação, o nitrogênio é convertido em amônia, que no estado gasoso sobe para a atmosfera e se perde de vez.


Esse processo é rápido. Em condições favoráveis para a urease, a maior parte da perda acontece nas primeiras 24 a 72 horas após a aplicação. Dependendo das condições, entre 20% e 50% do nitrogênio da ureia convencional pode se perder por volatilização.


Lixiviação

Quando o nitrogênio se converte em nitrato no solo, ele assume uma forma carregada negativamente. Como as partículas do solo também têm carga negativa, o nitrato não se fixa e fica livre na solução do solo. Com chuva ou irrigação intensa, ele simplesmente desce junto com a água, para além da zona radicular, fora do alcance das raízes.


Desnitrificação

Em solos com pouco oxigênio, como áreas encharcadas ou muito compactadas, microrganismos usam o nitrato como fonte de energia em um processo que libera nitrogênio na forma de gases, incluindo o óxido nitroso. O nutriente sai do sistema e ainda contribui para emissões de gases de efeito estufa.


Por que o Brasil é um ambiente especialmente crítico

Os três processos existem em qualquer tipo de solo, mas as condições do Brasil os tornam mais intensos.

A volatilização é acelerada por temperatura e umidade. O calor aumenta a atividade da urease e a velocidade de conversão em amônia. A umidade na superfície do solo facilita a dissolução da ureia e o início da reação. Juntos, esses dois fatores criam uma janela de perda muito curta e muito intensa nos solos tropicais, especialmente quando a aplicação é feita em superfície sem incorporação.


Para se ter uma ideia, ensaios realizados em condições de cerrado mostram perdas por volatilização que chegam a superar 40% da dose aplicada em dias com alta temperatura e ausência de chuva após a adubação. Esse número cai significativamente quando o fertilizante é incorporado ou quando há chuva logo após a aplicação, mas em condições reais de campo, nem sempre é possível controlar essas variáveis.


A lixiviação também é mais intensa em solos tropicais de textura mais arenosa, comuns em áreas de expansão agrícola. Esses solos retêm menos água e nutrientes, o que aumenta o risco de carreamento do nitrato para camadas mais profundas.


O que o tipo de aplicação tem a ver com a perda

Além das condições do solo, a forma de aplicação influencia diretamente quanto do nitrogênio se perde.

Ureia aplicada em superfície sem incorporação está totalmente exposta à ação da urease e ao ambiente. Qualquer período sem chuva após a aplicação significa mais tempo de exposição e mais perda.


A incorporação mecânica reduz o contato com o ar e diminui a volatilização, mas aumenta custo operacional e nem sempre é viável na cultura.


O parcelamento da adubação, dividindo a dose total em duas ou três aplicações menores, dilui o risco, mas multiplica as operações e o custo de mão de obra e combustível.


Cada uma dessas estratégias tenta compensar uma limitação do fertilizante convencional. O recobrimento age de forma diferente: em vez de adaptar a operação ao fertilizante, adapta o fertilizante à dinâmica do solo.


O que muda com recobrimento

Um fertilizante recoberto não elimina os mecanismos de perda, mas reduz drasticamente a exposição do nutriente a eles.


A camada protetora ao redor do grânulo retarda a dissolução da ureia. O nitrogênio começa a ser liberado de forma gradual, e não de uma vez. Isso reduz o pico de amônia disponível para volatilizar, diminui a concentração de nitrato livre sujeito à lixiviação e alinha a entrega do nutriente com o ritmo de absorção da planta.


O efeito prático não é apenas menos perda. É também um perfil de nutrição mais estável ao longo do ciclo, com menos risco de toxicidade por excesso momentâneo e menos necessidade de reaplicação para compensar perdas.


Grisea: atacando a causa, não o sintoma

A maior parte das discussões sobre eficiência de fertilizantes foca em como compensar a perda, mais aplicações, doses maiores, parcelamento. Na Grisea, partimos de uma pergunta diferente: e se o fertilizante não perdesse tanto desde o início?


Desenvolvemos recobrimentos à base de biopolímeros extraídos de algas vermelhas com o objetivo de controlar a liberação de nitrogênio em condições de solo tropical. A tecnologia nasce de uma pesquisa orientada para o ambiente brasileiro, onde temperatura, umidade e variabilidade química do solo tornam o problema da volatilização mais agudo do que em qualquer outra região.


E sem deixar microplásticos no processo.


Se você trabalha com formulação, blendagem ou desenvolvimento de fertilizantes e quer entender como essa tecnologia pode se encaixar no seu produto, fale com a gente.

 
 
 

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