Quais são os tipos de recobrimento de fertilizantes disponíveis no mercado?
- Grisea

- 3 de jun.
- 4 min de leitura
Quando o assunto é recobrimento de fertilizantes, a pergunta mais comum que recebemos é: quais são as opções disponíveis e o que diferencia cada uma? A resposta importa porque nem todo recobrimento funciona da mesma forma, e a escolha do material define diretamente o desempenho agronômico, o custo e o impacto ambiental do produto final.
Neste artigo, organizamos os principais tipos de recobrimento presentes no mercado hoje, com suas vantagens, limitações e o que cada um representa na evolução dessa tecnologia.
Recobrimento com Enxofre
É a tecnologia mais antiga de recobrimento de fertilizantes, desenvolvida nos anos 1970 e ainda presente no mercado por conta do custo relativamente baixo. O enxofre é aplicado em camadas ao redor do grânulo de ureia, criando uma barreira que retarda a liberação do nitrogênio.
O principal problema é a fragilidade mecânica. A camada de enxofre racha com facilidade durante o manuseio, transporte e aplicação. Cada fissura compromete o mecanismo de controle e resulta em liberação abrupta, parecida com a de um fertilizante convencional.
Por isso, o enxofre puro raramente é usado isolado hoje. Na maioria dos produtos, ele aparece combinado com um selante polimérico que cobre as imperfeições da camada de enxofre.
Enxofre com polímero sintético
Essa combinação tornou-se um dos formatos mais comuns no mercado de fertilizantes revestidos. O enxofre cumpre o papel de barreira principal e reduz o custo do recobrimento, enquanto o polímero sintético age como selante, cobrindo microfissuras e melhorando a consistência da liberação.
O resultado é um produto com melhor desempenho do que o enxofre puro e custo menor do que o polímero sintético isolado. A limitação permanece no resíduo: o polímero sintético utilizado como selante não se degrada no solo e contribui para o acúmulo de microplásticos.
Polímero sintético puro
Representa o padrão premium do mercado de CRF. Recobrimentos à base de poliureia, poliuretano ou resinas de origem fóssil entregam alta consistência de liberação, boa durabilidade mecânica e perfis de entrega de nutrientes bem documentados. São os produtos mais utilizados por fabricantes multinacionais em culturas de alto valor.
O custo é maior, o desempenho agronômico é comprovado, e o problema ambiental é conhecido: esses polímeros não se degradam biologicamente. Depois que o fertilizante cumpre sua função, os fragmentos do recobrimento permanecem no solo indefinidamente como microplásticos. Com o avanço de regulações ambientais na União Europeia e a crescente pressão por rastreabilidade de insumos em cadeias exportadoras, esse passivo começa a sair do campo técnico e entrar no campo do risco de negócio.
Polímeros biodegradáveis: a próxima geração
É aqui que o mercado de recobrimentos está evoluindo, e é onde estamos trabalhando.
A proposta dos polímeros biodegradáveis é simples: entregar o mesmo controle de liberação dos polímeros sintéticos, sem deixar resíduo no solo. O material do recobrimento se degrada naturalmente depois que o nutriente é liberado, eliminando o passivo de microplásticos.
Os materiais explorados nessa categoria incluem polissacarídeos, proteínas e biopolímeros de origem vegetal ou marinha. Na Grisea, desenvolvemos recobrimentos à base de biopolímeros extraídos de algas vermelhas, um material com propriedades estruturais relevantes para essa aplicação: boa capacidade de formação de filme, interação regulável com água e degradação natural no solo.
Um diferencial que consideramos central no nosso desenvolvimento é o foco nas condições do solo tropical brasileiro. Grande parte das tecnologias de recobrimento disponíveis no mercado foi desenvolvida para climas temperados, com padrões de temperatura, umidade e composição química do solo muito diferentes dos encontrados nas principais regiões agrícolas do Brasil. Desenvolver para esse ambiente desde a origem não é um detalhe técnico, é um critério de desempenho.
Como comparar as opções na prática
Para quem trabalha com formulação ou blendagem, a escolha do tipo de recobrimento envolve pelo menos quatro variáveis:
Perfil de liberação desejado: Quantas semanas ou meses o produto precisa sustentar a liberação? Qual é a janela da cultura?
Condições de solo e clima: O recobrimento foi desenvolvido e testado em condições parecidas com as do seu mercado? Um produto calibrado para solo temperado pode ter desempenho imprevisível em solo tropical.
Integridade mecânica: O produto vai passar por transporte, manuseio e aplicação mecânica. A fragilidade do recobrimento impacta diretamente a consistência do que chega ao campo.
Passivo ambiental: Esse critério ainda é secundário para a maioria dos compradores no Brasil, mas está ganhando peso em cadeias orientadas à exportação e em operações com metas de ESG. Vale antecipar a pergunta antes que ela venha do cliente.
Desenvolvemos o recobrimento para o próximo ciclo
O mercado de recobrimentos está saindo de uma fase em que o critério dominante era custo e desempenho imediato, para uma fase em que sustentabilidade e adequação às condições locais começam a entrar na equação.
Na Grisea, acreditamos que essa transição já está acontecendo. Desenvolvemos uma tecnologia de recobrimento que combina desempenho agronômico com ausência de passivo ambiental, construída para as condições reais do agronegócio brasileiro.
Se você trabalha com formulação, blendagem ou desenvolvimento de fertilizantes e quer entender como essa tecnologia pode se encaixar no seu produto, fale com a gente.




Comentários