El Niño 2026 e nitrogênio: como a instabilidade climática aumenta o risco da ureia convencional
- Grisea

- há 20 horas
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O El Niño de 2026 já não é mais uma previsão distante. O fenômeno foi oficialmente confirmado pelo Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos em junho deste ano, com sinais de que pode atingir intensidade forte na safra 2026/27. Para o agronegócio, isso significa um semestre de maior atenção a um fator que já é determinante para qualquer resultado de campo: o regime de chuva.
E poucos insumos dependem tanto do timing da chuva quanto o nitrogênio aplicado na forma de ureia convencional.
O timing perfeito que a ureia convencional exige
A eficiência da ureia depende de uma sequência de eventos que precisa acontecer dentro de uma janela estreita. Depois da aplicação, é necessário que haja umidade suficiente para incorporar o produto ao solo, mas não tanta chuva a ponto de lixiviar o nitrato antes que a planta absorva o nutriente. E essa chuva precisa vir logo após a aplicação, porque a urease, enzima que converte a ureia em amônia, começa a agir em poucas horas quando há calor e umidade na superfície do solo.
Esse equilíbrio já é difícil de alcançar em condições climáticas normais. Qualquer desvio significativo no regime de chuva amplia o risco em uma das duas direções: seca demais, e a volatilização dispara; chuva demais, e a lixiviação leva o nitrato para fora do alcance das raízes.
É exatamente esse equilíbrio que o El Niño ameaça.
O que o El Niño muda nesse cálculo
O fenômeno afeta o Brasil de forma desigual, e essa desigualdade é o ponto central do problema.
No Norte, Nordeste e em parte do Centro-Oeste, o El Niño tende a reduzir as chuvas e aumentar a frequência de veranicos, períodos de estiagem dentro da própria estação chuvosa. Para quem depende de chuva para incorporar a ureia logo após a aplicação, isso significa mais dias de exposição do fertilizante na superfície do solo, sob calor, esperando uma chuva que pode não vir no momento esperado. Cada dia adicional de exposição é mais tempo para a urease agir e mais nitrogênio convertido em amônia antes de qualquer absorção pela planta.
No Sul do país, o cenário se inverte. O El Niño historicamente favorece volumes de chuva acima da média durante a primavera e o início do verão, justamente o período de plantio e cobertura nitrogenada de culturas como milho e soja. Chuva em excesso logo após a aplicação acelera a conversão do nitrogênio em nitrato e aumenta o risco de lixiviação para fora da zona radicular, especialmente em solos com menor capacidade de retenção.
Em ambos os extremos, o problema é o mesmo: o produtor perde a capacidade de prever a janela ideal entre aplicação e absorção, porque o próprio regime de chuva se torna menos previsível.
Por que essa imprevisibilidade aumenta o risco da ureia convencional
A ureia convencional foi pensada para um cenário de regularidade climática razoável. Ela funciona bem quando a chuva chega dentro de um intervalo esperado, nem tarde demais, nem em excesso. O problema é que esse intervalo esperado é justamente o que o El Niño compromete.
Quanto mais distante o regime de chuva fica da normalidade, maior a chance de a aplicação coincidir com uma janela desfavorável. E como a decisão de quando aplicar costuma ser tomada com semanas de antecedência, baseada em previsão de safra e calendário agronômico, a margem para reagir a uma mudança climática repentina é pequena.
O resultado prático tende a ser perdas maiores de nitrogênio em anos de El Niño do que em anos de clima neutro, e essa relação já aparece em estudos de eficiência de adubação nitrogenada em diferentes regimes climáticos.
O que muda com tecnologias de liberação controlada
Fertilizantes com recobrimento não eliminam o impacto do clima sobre a lavoura, mas reduzem a dependência de um único evento de chuva para que o nitrogênio seja aproveitado.
Como a liberação do nutriente acontece de forma gradual ao longo de semanas, em vez de depender de um pico de dissolução logo após a aplicação, o sistema fica menos exposto a um veranico inesperado ou a uma chuva fora de hora. O nitrogênio continua disponível de forma mais distribuída no tempo, o que aumenta a chance de coincidir com algum momento de absorção da planta, mesmo em um regime de chuva mais irregular.
Isso não significa imunidade ao clima. Significa menos risco concentrado em um único intervalo de dias, que é justamente o tipo de risco que o El Niño amplifica
O que estamos pensando na Grisea
Não existe tecnologia capaz de controlar o clima. O que existe é a possibilidade de reduzir a dependência de condições climáticas perfeitas para que o fertilizante cumpra sua função.
Na Grisea, desenvolvemos recobrimentos à base de biopolímeros de algas vermelhas justamente para tornar a liberação do nitrogênio menos dependente de um único evento de chuva, considerando as condições reais do solo tropical brasileiro, onde a variabilidade climática já era alta antes mesmo de qualquer El Niño entrar em cena.
Em um ano que promete ser de maior instabilidade climática, reduzir essa dependência deixa de ser apenas um diferencial técnico e passa a ser parte da gestão de risco da safra.
Se você trabalha com formulação, blendagem ou desenvolvimento de fertilizantes e quer entender como tecnologias de liberação controlada se comportam em cenários de maior variabilidade climática, fale com a gente.




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