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O que é recobrimento de fertilizantes?

  • Foto do escritor: Grisea
    Grisea
  • há 4 dias
  • 4 min de leitura


Grande parte do fertilizante aplicado em campo nunca chega a cumprir sua função. O nutriente se perde antes, seja pela volatilização no ar, pela lixiviação no solo ou pela velocidade com que é liberado fora do momento em que a planta realmente precisa. O recobrimento de fertilizantes existe para atacar exatamente esse problema.


O que é recobrimento de fertilizantes

Recobrimento de fertilizantes é a aplicação de uma camada protetora ao redor do grânulo do fertilizante com o objetivo de controlar como e quando o nutriente é liberado no solo.


Essa camada funciona como uma barreira entre o fertilizante e o ambiente. Ela regula a velocidade com que a água penetra no grânulo e o ritmo com que o nutriente se difunde para o solo. O resultado prático é um perfil de liberação mais alinhado com o ciclo de absorção da planta, reduzindo desperdício e aumentando a eficiência do insumo.


A tecnologia é aplicada principalmente em fertilizantes sólidos, sendo a ureia o substrato mais estudado por concentrar o maior problema de perda: a volatilização de amônia após a aplicação em superfície.


Coat, coating e fertilizante revestido: entendendo o vocabulário

Na literatura técnica e nas conversas do setor, você vai encontrar os termos "coating", "coat" e "coated fertilizer" com frequência. São termos em inglês que se consolidaram como referência global.


"Coat" refere-se à camada em si. "Coating" descreve tanto o processo de aplicação quanto o material utilizado. "Coated fertilizer" ou "fertilizante revestido" é o produto final, o grânulo já encapsulado.


No Brasil, os termos recobrimento e fertilizante recoberto são os equivalentes diretos e os mais utilizados em contextos técnicos e regulatórios, incluindo no Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), onde fertilizantes de liberação controlada (controlled release) aparecem como uma das frentes estratégicas de desenvolvimento para o setor.


Fertilizantes com recobrimento também são classificados sob categorias mais amplas como "fertilizantes de eficiência aumentada", ao lado de estabilizantes e inibidores de urease. O que os distingue é o mecanismo: enquanto estabilizantes atuam por inibição química de processos do solo, o recobrimento age por barreira física.


Como o recobrimento funciona na prática

O mecanismo central é a difusão controlada. Quando o grânulo recoberto entra em contato com a umidade do solo, a água atravessa a membrana de recobrimento de forma gradual. Ao penetrar, ela dissolve o fertilizante internamente. O nutriente dissolvido então se difunde para fora pelo mesmo princípio osmótico, mas em um ritmo regulado pela espessura, composição e uniformidade do revestimento.


Esse comportamento contrasta com o da ureia convencional, que em contato com umidade libera o nitrogênio de forma rápida e concentrada. Nesse cenário, a planta não consegue absorver tudo de uma vez, e o excedente fica exposto a processos de perda como a atividade da urease no solo, que transforma o nitrogênio em amônia e o volatiliza para a atmosfera.


Três fatores determinam a qualidade do recobrimento:

  1. Espessura da camada: Camadas mais espessas tendem a prolongar a liberação, mas exigem maior precisão de aplicação para garantir uniformidade.

  2. Integridade do revestimento: Fissuras ou heterogeneidades na camada comprometem todo o mecanismo. Um grânulo com falha de cobertura libera o nutriente tão rapidamente quanto o convencional.

  3. Compatibilidade com o solo: A velocidade de liberação não depende só do material, mas das condições do ambiente onde o fertilizante é aplicado. Temperatura, umidade e composição química do solo afetam diretamente o desempenho do recobrimento.


Por que o recobrimento é especialmente relevante para o Brasil

O Brasil tem condições edafoclimáticas que tornam o problema da perda de nitrogênio mais agudo do que em climas temperados. Alta temperatura, umidade elevada e variabilidade química dos solos tropicais aceleram os processos microbianos de transformação do nitrogênio, o que intensifica a volatilização.


Ao mesmo tempo, o Brasil é um dos maiores consumidores mundiais de fertilizantes nitrogenados, com dependência significativa de importação de ureia. Nesse contexto, qualquer tecnologia capaz de aumentar a eficiência de uso do nitrogênio tem impacto direto na conta do produtor e na balança comercial do setor.


O Plano Nacional de Fertilizantes reconhece os fertilizantes de liberação controlada como uma das linhas prioritárias de desenvolvimento tecnológico e redução de dependência externa. Isso posiciona o recobrimento não apenas como uma inovação agronômica, mas como parte de uma agenda mais ampla de soberania e eficiência no setor de insumos.

Recobrimentos de origem biológica: o que estamos construíndo

Uma das fronteiras mais ativas no desenvolvimento de recobrimentos é o uso de biopolímeros de origem marinha. Algas vermelhas produzem polissacarídeos com propriedades estruturais relevantes para essa aplicação: boa capacidade de formação de filme, interação regulável com água e degradação natural no solo sem geração de microplásticos.


É nessa direção que trabalhamos na Grisea. Desenvolvemos recobrimentos à base de biopolímeros extraídos de algas vermelhas para aplicação em fertilizantes sólidos. Nossa tecnologia é construída desde a origem para as condições do solo tropical, considerando temperatura, umidade e variabilidade química que diferenciam o ambiente agrícola brasileiro das regiões temperadas onde grande parte das soluções importadas foi concebida.


A proposta combina desempenho agronômico com ausência do passivo ambiental dos polímeros convencionais. É o caminho que acreditamos que o mercado de recobrimentos vai percorrer nos próximos anos.

 
 
 

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